Conteúdo elaborado por Mariana Santos, fonoaudióloga especialista em audição, implante coclear e exames eletrofisiológicos da audição (Potenciais Evocados Auditivos / BERA), com fellowship no Hospital de Anomalias Craniofaciais – Centrinho USP Bauru. E atualmente com atuação em serviços de referência em São Paulo, como O grupo de Implante Coclear do HCFMUSP.

Se você ou um familiar apresentam perda auditiva e já não entendem bem a fala mesmo com aparelhos auditivos, o implante coclear pode ser uma opção de tratamento a ser considerada. A avaliação correta é individualizada e leva em conta audição, reconhecimento de fala, histórico clínico, exames complementares, expectativas e potencial de reabilitação.

Com acompanhamento especializado, o processo vai muito além da cirurgia: envolve investigação diagnóstica cuidadosa, orientação segura, definição de candidatura a reabilitação auditiva após a ativação do dispositivo.

Mas Mari... o que é implante coclear?

O implante coclear é um dispositivo eletrônico indicado para pessoas com perda auditiva neurossensorial, quando a amplificação convencional com os aparelhos auditivos já não oferecem benefício suficiente para compreensão da fala.

Diferentemente do aparelho auditivo, que amplifica o som, o implante coclear estimula diretamente o nervo auditivo por meio de sinais elétricos.

Hoje, o implante coclear é considerado uma das principais estratégias de reabilitação auditiva para casos selecionados. A avaliação não deve ser adiada desnecessariamente, porque isso pode reduzir oportunidades de melhor aproveitamento auditivo e comunicativo.

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E quando pensar em avaliação para implante coclear?

A avaliação para implante coclear deve ser considerada quando a pessoa sente que “ouve, mas não entende”, mesmo usando aparelho auditivo convencional bem adaptado.

- Conversas com familiares

- Ambientes com ruído

- Reuniões

- Situações sociais do dia a dia

- Interações profissionais

Em adultos, a decisão não depende apenas do grau da perda auditiva no audiograma. O processo também considera:

- O desempenho do reconhecimento de fala

- Desempenho/Ganho funcional com aparelhos auditivos

- Tempo de privação auditiva

- Histórico clínico

- Condições médicas

- Disponibilidade para reabilitação

Quem pode ser candidato ao implante coclear?

A candidatura ao implante coclear é sempre individualizada, mas geralmente envolve pessoas com perda auditiva neurossensorial, com benefício insuficiente dos aparelhos auditivos para compreender a fala. Mais do que olhar apenas a audiometria tonal limiar, é fundamental analisar o impacto funcional da perda auditiva na comunicação real.

Em muitos casos, o ponto mais importante não é apenas “quanto a pessoa escuta” no exame, mas o quanto ela consegue realmente entender a fala no cotidiano. Além disso, ter audição residual ou algum benefício parcial com aparelho auditivo não exclui, por si só, a possibilidade de avaliação para implante coclear.

Avaliação em adultos:

A avaliação em adultos para implante coclear vai além do audiograma e deve considerar o quanto a perda auditiva está comprometendo a comunicação, a autonomia e a qualidade de vida.

Muitos adultos relatam que conseguem perceber sons, mas não compreendem as palavras com clareza, principalmente em ambientes com ruído ou em conversas com mais de uma pessoa.

Na prática, a avaliação em adultos costuma incluir:

- Audiometria tonal e vocal

- Imitanciometria

- Emissões Otoacusticas Transientes e Por Produto de distorção

- Testes de reconhecimento de fala com e sem aparelho auditivo

- Análise do benefício real com amplificação / Ganho Funcional

- Histórico de progressão da perda auditiva

- Discussão sobre expectativas e objetivos do tratamento

- Aspectos psicológicos

- Disponibilidade para seguir a agenda após a cirurgia

- Avaliação médica e exames complementares

O objetivo não é apenas responder se há indicação ou não. O objetivo é entender qual o potencial de benefício e qual o melhor plano de acompanhamento para aquele paciente.

Avaliação em crianças:

Na população pediátrica, a avaliação para implante coclear deve ser ampla, cuidadosa e multiprofissional. Fundamenta seguir o princípio do Cross Check com avaliação audiológica completa.

Além dos exames auditivos, é essencial analisar o desenvolvimento auditivo, de fala e de linguagem da criança, bem como sua evolução com aparelhos auditivos.Mesmo quando a criança ainda apresenta alguma audição residual, a equipe deve observar se há progresso funcional compatível com o esperado.

A avaliação em crianças costuma considerar:

- Resultados dos exames audiológicos

- Desempenho com aparelhos auditivos

- Desenvolvimento da linguagem

- Histórico médico e perinatal

- Condições associadas

- Participação e suporte da família

- Objetivos terapêuticos individualizados

Quando a evolução auditiva e linguística não ocorre de forma adequada, a avaliação para implante coclear deve ser considerada de forma oportuna, porque o tempo é um fator importante no desenvolvimento infantil e para favorecer a aquisição da linguagem oral.

Perda auditiva auditiva unilateral SSD e em casos de zumbido:

A avaliação para implante coclear em casos de perda auditiva unilateral e surdez unilateral (SSD – single-sided deafness) vem ganhando cada vez mais relevância, especialmente quando o paciente apresenta:

- Dificuldade importante para entender em ruído

- Prejuízo na localização sonora

- Desconforto na comunicação diária

- Zumbido intenso no lado afetado

- Impacto importante na qualidade de vida

Em pacientes selecionados, o implante coclear pode trazer benefícios não apenas para a audição funcional, mas também para a redução do impacto do zumbido, especialmente quando ele está inserido em um quadro de perda auditiva unilateral significativa.

Nesses casos, a avaliação precisa ser bastante criteriosa e considerar:

- Tempo de instalação da perda

- Audição da orelha contralateral

- Intensidade e impacto do zumbido

- Prejuízo funcional no dia a dia

- Expectativas do paciente

- Possibilidades reais de benefício

É importante destacar que o implante coclear não deve ser apresentado como tratamento isolado para zumbido. A indicação deve ser feita dentro de uma avaliação auditiva completa, em casos selecionados de SSD.

Avaliação do implante coclear em idosos:

A idade, por si só, não impede a avaliação para implante coclear. Em idosos, a avaliação deve ser ainda mais cuidadosa e considerar fatores como:

- Cognição

- Saúde geral

- Tempo de perda auditiva

- Tempo de privação sensorial

- Uso prévio de aparelhos auditivos

- Apoio familiar

- Objetivos funcionais do paciente

- Funcionalidade

O foco não é prometer um resultado padronizado, mas avaliar com realismo o potencial de ganho em comunicação, participação social e qualidade de vida.

Como funciona a avaliação para implante coclear

A avaliação costuma envolver uma abordagem multiprofissional, com integração entre equipe médica e fonoaudiológica.

Após a implantação, o acompanhamento fonoaudiológico e audiológico é essencial para que o paciente aprenda a interpretar os novos estímulos sonoros e desenvolva a escuta funcional.

Esse acompanhamento costuma incluir:

- Ativação do implante

- Ajustes periódicos do dispositivo/ Mapeamento

- Reabilitação auditiva

- Monitoramento da evolução

Os melhores resultados costumam estar associados a: Uso consistente do dispositivo, Acompanhamento regular, Boa adesão à reabilitação, Inservação completa dos eletrodos e Rede de apoio familiar.

O que pode melhorar com o implante coclear? Em pacientes adequadamente selecionados, o implante coclear pode estar associado a: Melhora da percepção de fala, Redução do esforço auditivo, Melhora da comunicação com familiares, Maior participação social, Ganho em autonomia, Melhora de qualidade de vida, Cada paciente, porém, tem uma trajetória própria. Por isso, os resultados devem sempre ser discutidos de forma individualizada e ética.

Sinais de alerta: quando procurar avaliação audiológica especializada: Pouca melhora com aparelho auditivo, Grande dificuldade para entender fala, Cansaço excessivo para ouvir, Isolamento social por causa da audição, Perda auditiva progressiva, Dificuldade importante em ruído, Zumbido intenso associado à perda unilateral, Suspeita de atraso no desenvolvimento auditivo ou de linguagem em crianças.

Perguntas Frequentes:

Implante coclear é a mesma coisa que aparelho auditivo?

Não. O aparelho auditivo amplifica o som; o implante coclear converte o som em estímulos elétricos que atuam diretamente no sistema auditivo.

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Idoso pode fazer implante coclear?

Sim. A idade isoladamente não impede a avaliação.

A cirurgia do implante coclear resolve tudo sozinha?

Não. O resultado depende também de ativação, ajustes, uso diário e reabilitação auditiva.

Todo paciente terá o mesmo resultado?

Não. Existe variabilidade individual, e por isso a avaliação deve ser personalizada.

Sobre a especialista

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Mariana Santos é fonoaudióloga especialista em audição, implante coclear e exames eletrofisiológicos da audição.

Possui formação no HRAC – Centrinho USP Bauru e atua em serviços de referência em implante coclear em São Paulo, com experiência em avaliação audiológica, indicação e acompanhamento de pacientes implantados, incluindo adultos, idosos, crianças e casos complexos de reabilitação auditiva.

Agenda sua avaliação

Se você ou um familiar apresentam perda auditiva importante e já não conseguem compreender bem a fala mesmo com aparelhos auditivos, a avaliação especializada é o caminho para entender se há indicação de implante coclear e qual o melhor plano de acompanhamento para o caso.

Entre em contato para agendar sua avaliação em São Paulo e receber uma orientação individualizada sobre candidatura, avaliação e acompanhamento com implante coclear.

(31) 97528-7388